Sesc Cultural abre curso de Modernismo com Lilia Schwarcz
Sesc Cultural abre curso de Modernismo com Lilia Schwarcz
Historiadora e antropóloga elogia a escolha do tema para abrir o Programa Educativo do equipamento cultural a ser construído na Asa Norte: "Tijolo para construção de uma identidade própria"
Durante a Semana de Arte Moderna de 1922, a pianista Guiomar Novaes (1895-1979) foi a única artista a ser aplaudida pelo público que esteve no Theatro Municipal de São Paulo. Na ocasião, a pintora Zina Aita (1900 – 1967) expôs oito telas que foram bastante comentadas pela crítica da época. Regina Gomide Graz (1897 – 1973), tapeceira e artista visual, também chamou atenção por introduzir elementos da cultura indígena no trabalho que dialogava com a modernidade. Em comum, além de serem mulheres brancas, as três artistas entraram no rol dos que foram esquecidos naquela que é considerada o marco histórico do modernismo brasileiro. Outros criadores, negros e fora da pujança paulistana como Lima Barreto (1881-1922), sequer foram convidados a entrar na festa patrocinada pelo mecenas, banqueiro e cafeicultor Paulo Prado (1869–1943).
A partir de lacunas e esquecimentos, a historiadora e escritora Lilia Schwarcz conduziu a masterclass Semana de 22: Ecos, Mitos e Ausências do curso Modernismo na História da Arte Brasileira, promovido pelo Sesc Cultural, para uma plateia que ocupou o Teatro Silvio Barbato (Setor Comercial Sul), na tarde de sábado (17.10). “Estamos falando de uma São Paulo onde os bondes elétricos conviviam com carros de bois. Naquele ano de 1922, havia um Brasil que estava celebrando o Império. Então, a Semana de Arte Moderna era uma contranarrativa aos 100 anos da Independência. Falamos do tempo que se reitera, o moderno e o arcaico convivendo no mesmo território”, propõs Lilia Schwarcz, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Professores qualificados
Riquelle integra um seleto corpo de 15 docentes do EduSesc selecionados pelo Sesc Cultural para formação de grupo piloto de trabalho, que desenvolve projetos pedagógicos colaborativos para serem aplicados em sala de aula no ano letivo de 2027. “Com a arte como linguagem transversal, esses professores participam desse percurso formativo. Entre as ações, há ainda uma visita técnica ao Instituto Inhotim”, destacou Leonardo Hernandes, gerente do Sesc Cultural.
A masterclass de Lilia Schwarcz abriu o curso cujo objetivo é ampliar o olhar sobre o modernismo brasileiro ao longo de quatro encontros: As Vanguardas e o Modernismo Brasileiro (31.10, com Vera Pugliese); Modernismos em Brasília (14/11, com Graça Ramos); Outros Modernismos (28/11, com Renata Felinto e Naine Terena). Todos os encontros têm entrada franca e ocorrem das 10h às 13h, no Teatro Silvio Barbato, com ingressos liberados meia-hora antes).
Coordenador pedagógico do Programa Educativo do Sesc Cultural, Auber Bettinelli enfatizou que “mais do que revisitar, queremos refletir sobre as narrativas que construíram a história da arte brasileira”. Feliz com a repercussão da masterclass, Lilia Schwarcz celebrou a escolha temática do Sesc Cultural (equipamento cultural, localizado na 511 Norte, ainda em fase de construção) para abrir o programa educativo. “É um tijolo lançado na obra que reflete a expressão sobre a construção de uma identidade própria”.
"É um tijolo lançado na obra que reflete a expressão sobre a construção de uma identidade própria”,
Lilia Schwarcz, historiadora e antropóloga